Lavras do Sul celebra protagonismo na geofísica aplicada à pesquisa mineral
Integrantes da equipe de geofísicos formada na cidade, em 1932, encontraram o primeiro poço petrolífero economicamente viável do Brasil, no Recôncavo Baiano
Reconhecida oficialmente pela Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf) como berço da geofísica aplicada à pesquisa mineral, a cidade de Lavras do Sul recebeu, recentemente, um evento especial para marcar a distinção, que também inaugurou o Monumento Berço da Geofísica no Brasil.
Estavam presentes Luis Fernando Santana Braga, presidente da SBGf, Eraldo Vasconcelos, diretor da Federasul, Paulo Serpa e Nilson Dorneles, representantes da Lavras do Sul Mineração, Diego Boeira, representando o Projeto Fosfato Três Estradas, autoridades municipais e regionais, familiares dos pioneiros na utilização da geofísica na mineração e João Pedro Rebés Lima, coordenador do curso de Geofísica da Unipampa Caçapava do Sul, única universidade a oferecer o curso de Geofísica no Sul do Brasil.
Área interdisciplinar da Geociência que estuda a Terra e seus processos utilizando equipamentos para interpretar o que não se enxerga em superfície, a Geofísica identifica alvos minerais prospectáveis, uma das etapas da indústria mineradora, mostrando ao geólogo até onde a rocha pode ser trabalhada para a retirada desses minérios.
No Brasil, a inserção dessa ciência se deu em 1932, justamente em Lavras do Sul, escolhida pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB), vinculado na época ao Ministério da Agricultura, pelo fato de já se destacar como um local com muitas ocorrências e produção de ouro, sendo, inclusive, uma das primeiras e únicas cidades do Sul do Brasil originadas da mineração.
Na época, para oferecer treinamento sobre os métodos geofísicos na propriedade do lavrense Serapião de Freitas Souza, que lavrava veios de ouro, o diretor do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, Eusébio Paulo de Oliveira, contratou o geofísico americano Mark Malamphy, que formou uma equipe com os pioneiros da geofísica na pesquisa mineral brasileira: Nero Passos, Décio Savério Oddone, Henrique Casper Alves Souza e Irnack Carvalho do Amaral.
As conexões dessas participações foram determinantes para a formação da história e das raízes de muitas famílias lavrenses, e, mais do que isso, o trabalho deles dentro da geofísica, ao longo do tempo, ajudou a desenvolver a economia brasileira.
Alguns geofísicos treinados em solo lavrense, como Décio Savério Oddone e Irnack do Amaral, utilizaram os conhecimentos adquiridos para, em 1941, inicialmente como técnicos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pesquisarem petróleo no sudeste e no nordeste do país, e descobriram o primeiro poço viável, economicamente, no Brasil - em Candeias, no Recôncavo Baiano. Mais tarde, em meados dos anos 50, Décio Savério Oddone também integrou, assim como Irnack do Amaral, a diretoria da Petrobras.
Para Décio Fabrício Oddone, ex-diretor-geral da ANP e neto do pioneiro Décio Savério Oddone, a geofísica ajudou a fazer do Brasil um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, por meio da Petrobras, encontrando o mineral em áreas que ainda não eram exploradas. “O Brasil é um país mais rico hoje por causa da agricultura, da mineração e do petróleo”, afirmou. Já o presidente da SBGf, Luis Fernando Braga, fez questão de ressaltar o protagonismo lavrense na geofísica brasileira: “Memória, ciência e coragem de explorar o desconhecido”, disse Braga.
Detalhe do Monumento Berço da Geofísica no Brasil, inaugurado em Lavras do Sul (foto: Edinara Lopes/Divulgação)























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